06/08/2010

Sobre o debate, Plínio de Arruda e o Estadão

Eu estava quieta no meu canto, esperando o show do Arcade Fire no You Tube, quando o povo começou a tuitar o debate dos presidenciáveis na Band. Ligo a TV e me deparo com as mesmas caras de sempre: Dilma com sua expressão aristocrata, Serra como o eterno cover daquele personagem dos Simpsons, Marina e sua muleta do ecologicamente correto. Mas peraí, tinha também uma figura desconhecida, um senhor magro, de expressão sagaz. Era Plínio de Arruda Sampaio, o até então obscuro candidato do PSOL, que apesar da militância da Lukíssima, eu ainda não conhecia.

A cada frase de Plínio, pipocavam comentários no Twitter, a maioria das pessoas impressionada com a postura dele e seus comentários carregados de um tom irônico capaz de deixar os outros candidatos no chinelo. E olha que quase sempre ele tinha apenas um minuto para falar, segundo as regras do debate.
Plínio chamou Marina de ecocapitalista (bingo!) e Serra de hipocondríaco (bingo again!), afirmou que a distribuição de terra no governo Lula foi menor do que no governo FHC e se mostrou claramente como uma opção para quem estava pensando em anular o voto por achar que os discursos dos candidatos estão a cada dia mais parecidos.

Em poucos minutos, Plínio estava entre os assuntos mais comentados do Twitter – o tal dos Trendig Topics – e isso em noite de futebol. Não demorou muito para alcançar o topo da lista, deixando todo mundo curioso: mas, afinal, quem é esse cara?
É verdade que, entre os tweets, muitos se referiam à idade dele - Plínio tem 80 anos. E criou-se então o  #PliniodeArrudaFacts, anedotas sobre a figura do candidato, relacionando-o a episódios da Idade da Pedra.

Final do debate. Plínio saltou da posição de ilustre desconhecido para a figura mais comentada do Twitter. Ganhou mais de dois mil seguidores. E saiu, digamos, vitorioso.

No dia seguinte, eis que, para minha surpresa, um dos meus comentários havia sido publicado num texto do Estadão, assinado pelo jornalista Edmundo Leite.

tw_tioavo

O problema é que o texto coloca Plínio de Arruda como comediante, no mesmo saco de gatos de Tiririca, Enéas e Zé Bonitinho. E como se não bastasse, Edmundo considera que o meu comentário foi um dos que melhor resumiu a sua teoria: a de que o candidato do PSOL não passa de um "animador de auditório", dono de um "comportamento senil", etc, etc, etc. 


"A gaiatice de Plínio, apesar de não ser artificial, soou boba neste debate. Sem ninguém que tivesse coragem para dar  um corte nele, foi ficando cada vez mais à vontade. Se acreditar que com isso fará sucesso nos outros debates, corre o risco de virar um daqueles quadros fixos da “A Praça é Nossa” (que teve mais audiência que o debate)  em que comediantes repetem seus bordões a cada programa."


Mesmo para os mais ingênuos, o que salta aos olhos é óbvio: a tentativa de transformar em comédia a popularidade conquistada pelo candidato durante o debate. Edmundo confunde comunista com piadista e se mostra extremamente preconceituoso com os idosos. 

PORRA, ESTADÃO!

Claro que precisei comentar meu comentário. E não é que o Edmundo Leite se deu ao trabalho de me responder?
A troca de tweets foi rápida, mas o suficiente para que o jornalista reafirmasse que Plínio só teria alcançado a posição de destaque por ter adotado uma postura jocosa e sem nexo algum. Para reforçar sua tese, Edmundo Leite citou comentários publicados numa comunidade do Orkut sobre o candidato.


@tripolaroide Dê uma olhada nesse comentário de uma eleitora do Plínio no Orkut.http://bit.ly/9FRt5Q


Eu disse a ele que também sou jornalista, portanto entendo que há um direcionamento ideológico a seguir quando se trabalha na grande imprensa, ao que ele respondeu que não há direcionamento nenhum nesse sentido (aham, senta lá, Edmundo). No entanto, numa rápida busca pela internet é possível encontrar outros perfis bem mais equilibrados de Plínio de Arruda, como este publicado no Portal Terra. 

E, finalmente, aproveitando os meus quinze milésimos de fama, quero informar que estou aceitando convites para eventos, como feiras agropecuárias e festivais do camarão. Mas falem primeiro com meu assessor de imprensa.



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