
Vinte e cinco anos depois de sua morte, Ian Curtis, vocalista da banda inglesa Joy Division, volta ao cenário pop. Já está em produção o filme “Control”, baseado no livro “Touching from a Distance”, da viúva Deborah Curtis. Na direção, o holandês Anton Corbijn, um dos maiores fotógrafos de rock do mundo, famoso pelo seu trabalho com o U2 e que decidiu se mudar para a Inglaterra em 1979 para fotografar a sua banda favorita: o Joy Division. Deborah assina a produção do filme ao lado de Tony Wilson (“A Festa Nunca Termina”). Para o papel principal estão cotados Jude Law e Sean Harris, que já encarnou Curtis no filme de Wilson. “Control” começa a ser rodado em julho.
O lançamento do filme inclui duas trilhas sonoras, uma coletânea do Joy e outra com regravações assinadas por U2, Morrissey, Marilyn Manson e Moby. Dizendo-se incapazes de mexer com a obra do Joy Division, os alemães do Kraftverk se negaram a participar do projeto. Na Inglaterra, as homenagens incluem o documentário “Transmission”, produzido pela BBC, sobre a vida e a obra de Ian Curtis, assim como o seu legado para o rock, incluindo cenas raríssimas de shows gravados em 1979 e 1980 e entrevistas com Bernard Sumner, Peter Hook e Steve Morris, companheiros de banda e que depois da morte de Ian reinventariam o rock britânico com o New Order. “Transmission” será exibido amanhã em uma praça de Manchester, cidade onde surgiu a banda.
Enquanto isso, o novíssimo rock reverbera Joy Division. Do vocal de Paul Banks do Interpol à bateria do Bloc Party, passando pela estética do Franz Ferdinand. De volta à cena, o New Order arranca elogios da crítica com o álbum “Waiting for the Sirens Call” (http://www.neworderonline.com/). Na edição com a lista dos 100 melhores singles dos últimos 50 anos, a New Musical Express (NME) elegeu “Love Will Tear Us Apart” em primeiro lugar. A escolha não se baseou em vendas, mas na emoção que esses singles causaram nos editores da revista e que deixaram uma “marca indelével em suas almas”. A música também foi merecidamente escolhida como uma das melhores dos últimos 25 anos no Brit Awards.
Assim como os fãs dos Smiths se agarraram aos discos do Belle & Sebastian, os órfãos do Joy Division elegeram o Interpol. Criado em Nova York há sete anos por quatro rapazes engravatados - Carlos D no baixo, Daniel Kessler na guitarra, Samuel Fogarino na bateria e Banks no vocal e na guitarra - o Interpol lançou recentemente no Brasil (Trama) o impecável álbum “Antics”. E mostra que conseguiu superar o desafio do segundo disco - de fato, “Antics” cria uma atmosfera que captura os ouvidos desde os primeiros acordes da tortuosa balada “Next Evil”. Cansados da comparação com o Joy Division, os músicos do Interpol reagem: “Sermos comparados incansavelmente a algo é incômodo quando você está tentando estabelecer uma identidade. Nós soamos como o Interpol e não há comparação que possa ser uma boa comparação”, disse Banks ao jornal “Independent”.
De fato, restringir o som do Interpol a um clone do Joy Division seria uma ignorância. Se nas músicas da banda nova-iorquina estão sopros de Echo & The Bunnymen, Cure e REM isso só comprova que eles conseguiram reinventar com urgência e originalidade a sonoridade e a angústia típicas do pós-punk. E isso não é pouca coisa.
Origens
Manchester, Inglaterra, 1976, auge do punk. Ian responde a um anúncio que pede um vocalista, postado pelo guitarrista Bernard Sumner e pelo baixista Peter Hook. Assim nasceu o Joy Division, que gravou seu primeiro álbum, “Unknown Pleasures”, em 1978. Na época, o som do grupo se distinguia da produção punk rock por utilizar sintetizadores em suas canções introspectivas e viajantes que serviam de base para as letras sofridas de Curtis.
Autodidatas, os integrantes do Joy Division se inspiravam em Iggy Pop e Velvet Underground.
Mas o célebre lado sombrio estava fincado nas experiências pessoais dos músicos. À medida que o sucesso da banda crescia, a saúde de Curtis piorava. Epilético, seus ataques eram cada vez mais constantes, misturados a crises se depressão. Às vésperas de uma turnê pelos Estados Unidos, depois de um ensaio, Curtis voltou pra casa e assistiu “Stroszek”, de Werner Herzog. Depois de uma briga com Deborah, de quem estava se divorciando, Curtis ouviu “The Idiot” e se enforcou com os lençóis da cama. Ele tinha 23 anos. Semanas após sua morte, chegou às lojas “Closer” (1980).
(Publicado originalmente em 17 de maio de 2005)

2 comentários:
oi marcinha legal voçê ter o seu cantinho para escrever sobre as tuas paixões e sei lá mais o quê,voçê merece.lembra que voçê é mãe,terapeuta e boxer.hehehe...eu volto.beijos.
Pois é, Alex. Imagina que são mais de dez anos de textos dispersos em páginas de jornal que já viraram poeira. Mas agora pelo menos uma parte deles está aqui. Críticas e sugestões são bem-vindas!! Beijos.
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